23/10/2009 13:57
Ando ecoando Silêncios.
Guardando retratos. Desfazendo intricados nós.

Quando a gente ama
Acha que é só juntar:
Memória, fotografia, as coisas do lar.
O quarto vira uma coisa só
Do lençol a camisola
Teu sapato meus vestidos
O tempo todo é de amar.

Tomei chá e meditei
Massagem
Yoga
Cápsulas de Chá Vermelho.

- Eu acho que não tô legal.
Respira que tá tudo bem.

E no final a gente para no sofá
Liga a TV
Vê qualquer coisa de uma outra nação
E cria os nossos velhos tons.

Nosso pequeno GRande Planeta.
a História de nós dois.



Me abraça, esquenta minhas mãos
Eu acho que já encontrei o que há de melhor em mim
Por causa de você, por causa de seus eus
Me perdi e me encontrei
Na saudade que não cabe mais em mim.

* * * *
****

É estranho como não se fala sobre nosso silêncio interior.
Temos um misto de vergonha e medo, porque ele é inexplicável e acreditamos que o outro não nos vai entender, pois, mesmo que também o tenha, não admitirá.

Esta obrigação instituída de sermos perfeitos.

Mas, chega o momento em que se aceita o silêncio como o destino final da jornada vivida e, amparado pela coragem, se entra nele e vive o silêncio como se tudo vivido antes fosse um ensaio para o que se viveria agora.

O silêncio total, o vasto silêncio de quando nos deixamos reconhecer, só chega quando nada mais pode atrapalhá-lo e ele, introspectivo, não sente temor de se mostrar e se assumir como realmente é.

Ocorre o medo de ter o desabrochar, despertado pelo silêncio, interrompido por algum som desavisado que se propaga no mundo exterior, mas não repercute em nosso interior.

E então o silêncio chega, aquele silêncio que, nas horas de maior ardor, imaginamos como o amante proibido e que se revela como nosso algoz, pois não chega para a troca de confidências e sim para nos fazer calar, enquanto aperta sem piedade nossas feridas.

Mas, o dia raiará novamente e o silêncio irá dormir, e sua passagem pela noite será apenas uma lembrança a espiá-lo pela fresta de uma memória sentida, do tempo passado em comunicação aterrorizadora consigo mesmo.
E, nesse momento, o silêncio será mais um fantasma dentre tantos na vida.

( * * Releitura de um texto da Clarice)


enviada por Marília Gabriela






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