04/12/2008 12:39
É difícil perder-se.

......... É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar,..
.. mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo.

Até agora achar-me era já ter uma idéia de pessoa e nela me engastar: nessa pessoa organizada eu me encarnava,
e nem mesmo sentia o grande esforço de construção que era viver.


Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida.

Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo [...].


Como é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação: a ser? e no entanto não há outro caminho.
Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que foi sendo?

Talvez desilusão seja o medo de não pertencer mais a um amor.

No entanto se deveria dizer assim: ela está muito feliz porque finalmente foi desiludida.

O que eu era antes não me era bom.

Mas era desse não bom que eu havia organizado o melhor: a esperança.

De meu próprio mal eu havia criado um bem futuro.

O medo agora é que meu novo modo não faça sentido?
Mas por que não me deixo guiar pelo que for acontecendo?
Terei que correr o sagrado risco do acaso.

enviada por Marília Gabriela



03/12/2008 23:42
O Esquecimento que não esquece.
A carta ao amigo.

Os dias de fino fio de prata...
...de cristal pontiagudo .... e ausência de veias.

SAudades da minha mãe!! IMensa!! ENorme!
Saudade sempre do som da risada dela!!!
... de apertar ela na parede!!!

O Esquecimento que não esquece.
A antiga carta ao amigo.

aquele dia em que a porta do ônibus abriu e você estava lá.. parado.. como se me esperasse...depois de quanto anos... nem sei.

a borboleta linda que me deu, e eu jamais esqueci.

E todas as tardes, em que corremos por aí de bicicleta.
Sinto tanto sua falta.
Todos os dias, desde que vc se foi, não só agora.
Meu melhor amigo e irmão!
Amei você e amarei até o fim.
E as vezes me perco pensando, quando será que nos encotraremos num destes abrir de portas por ai!?

Segue a vida.
Corre o rio!!

E...

Melhor que tudo em mim, certamente é esta celebração da literatura,
essa vocaçao que tanto me salvou de mim mesma.

Daquilo que antes me levaria por desespero e necessidade a
Conhecer novas paragens.
Aquela sede interminável de horizontes que falei ...
Outras visões do mundo sem perder a minha própria

A literatura como forma de conhecimento.
..
... como possibilidade.

A literatura como principio de vida.
De individuo

Então esse Desafio.
Esse Nada que é Tudo.

De momento.. NÃO estou interessada em Meditar e INTERPretar.
Sou o que sou!
VEz ou outra alguem consegue ver a poesia em mim.

Sempre tive uma linguagem própria e muito distinta da maioria.
Constante.

Sorrio com delicadeza ao que machuca hoje.
...

Amanhecendo.

Amém

enviada por Marília Gabriela



02/12/2008 12:47
Criava esta sede interminável de Horizontes...

Deixaria de compreender outra parte de mim ...
... se não houvesse tantos imprevistos no caminho.

Quando sonhávamos, com aquilo que seria a plenitude da vida, a força dos sentidos, e aquele compromisso impiedoso consigo mesmo.

De todos os romances, que li, que escrevi, meu mundo de então,com seus abismos e entusiasmos...
Não conseguiria sondar a linguagem dos rios, esta Sucessão de pessoas, a apologia da Impermanência e tanta inconstância.
Tudo passava, mas nada era em vão.

A vida é um grande rio... e curso das águas segue, incessantemente, o seu destino.

Pra mim é Essencial descobrir onde;
Essencial descobrir quando.

Devo começar esquecer. Esquecimento e sabedoria formam um todo.

E esse todo Iluminado por um lirismo delicadissimo.
E acreditar num caminho melhor.
Onde Deus se justifica continuamente através de cada pequeno milagre.
Como este.

Sei... tenho o olhar quieto, as vezes vago,
de um rosto controlado e habituado a viver em sociedade, um rosto bem -educado!
Não é bonito.

Mas na tenacidade com que olho ao redor talvez consiga ver a Força que domina minha vida.

Tenho tantas reservas e compromissos, e ainda assim...
Esse Olhar aberto , deixar-se atrair pelos Milagres do Mundo.
SEr capaz de Amor

de Compaixão
esta sede de Conhecimento.

De quem cultiva flores e conversa com sua gata.
De quem vive, como poucos, uma solidão comunicativa.

E que não se faz de rogada para responder aos outros...
Com Coragem...

...como raramente encontramos na vida!!!!

Amem
enviada por Marília Gabriela



02/12/2008 01:35
Cansada ....
Tanta coisa que não sei.

Banho quente, deito, viro de um lado pro outro...
Lembro que não terminei minha folha de cálculos... lembro da poeira do dia seguinte.

Aperto o olho.
Sera que ele esta dormindo!?
Sera que ele liga?

Porque me sinto assim?

Lembro do fim de semana... da discussão de domingo.
DA falta imensa daquele amigo... e da perda daquela que era mais que amiga.
Que hoje é so irmã!

Troco de lado de novo.
Pego o celular. Olho a hora.
Meu Deus, olha a hora!

Lembro o que eu costumava ser.

Na vida de quem se instalou à parte, longe da cidade e da sociedade.

Por mais que você busque a solidão e o recolhimento, a Vida não pode ser revogada.

E as pessoas cujas visita e fala você teria gostado de evitar entram em sua casa todas as manhãs nas cartas que você re-lê copiosamente.

O estado de ser um com o mundo num riso silencioso e só seu, a total liberdade emrelação a tempom esperança e temor

O absoluto presente não pode ter durado tanto.


Daqui a pouco levanto.

enviada por Marília Gabriela



30/11/2008 21:19
ASSOMBRO DELA
... tristeza dela... abandono dela...

ferida dela... só dela.
erro dela.

Estrela dela... o jardim dela... Ela...

...

.
Apaixonou-se pela sombra.

Não era ela, mas a impressão que deixava,
quando a incidia luz.

E aí ela incendiava mesmo!

Amava era o rastro estampado dos passos.

As marcas deixadas pra leituras sem fim.

Vasculhava os vazios do "por onde ela passou".

Como eram cheios pra ele!

Até que ele chegava bem perto, sabe.

Até o ponto de pousar sobre ela
- ela sombra -,

estava quase sempre a seus pés.

"Rico é o que dá espaço pro delírio",
pensava ele, ambicioso.

Porém, retardatário, tomava voltas e voltas,
da consciência, o filósofo.

Até que um belo triste dia a sombra sumiu...

É que vazio é carência de preenchimento.

E nem só do sonhador nascem as ilusões.

Foi por força de um sol menos tímido.
...

ela sou eu.

( ...)
enviada por Marília Gabriela



28/11/2008 21:45
"Alivia a minha alma,
faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha,
faze com que eu sinta que a morte não existe ...
faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte,

faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária,

faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta,
faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto o beijo é perfeito,

faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la,
abençoa-me para eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo,

faze com que eu seja Abnegada comigo mesma, pois senão não poderei sentir que Deus me amou,
faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém."


enviada por Marília Gabriela



28/11/2008 12:22
Faz de conta que ela era uma princesa azul pelo crepúsculo que viria,

faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos,

faz de conta que uma veia não se abrira

e faz de conta que sangue escarlate não estava em silêncio branco escorrendo
e que ela não estivesse pálida de morte,
estava pálida de morte
mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade,

precisava no meio do faz-de-conta falar a verdade de pedra opaca
para que contrastasse com o faz-de-conta verde cintilante de olhos que vêem,

faz de conta que ela amava e era amada,
faz de conta que não precisava morrer de saudade,
faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus,

faz de conta que vivia e que não estivesse morrendo
pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte,

faz de conta que ela não ficava de braços caídos
quando os fios de ouro que fiava se embaraçavam
e ela não sabia desfazer o fino fio frio,

faz de conta que era sábia bastante
para desfazer os nós de marinheiros que lhe atavam os pulsos,

faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua,

faz de conta que ela fechasse os olhos
e os seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos da gratidão mais límpida,

faz de conta que tudo o que tinha não era de faz-de-conta,

faz de conta que se descontraíra o peito e a luz dourada a guiava
pela floresta de açudes e tranqüilidade,

faz de conta que ela não era lunar,

faz de conta que ela não estava chorando.
enviada por Marília Gabriela



27/11/2008 23:31
..não consigo deixar de pensar...
Sobre domingo passado, sobre tantas coisas que tenho visto e vivido.

Tenho corrido muito, Graças a Deus.
E, de repente, vi que era verdade mesmo.
Sei que não estou só, que Deus esta aqui comigo, e não se importa com a minha bagunça, ou com a imperfeiçao em mim.


E aí vou arrumando as pratelerias de outra forma... vou trocando tudo de lugar.
Arrancando as roupas velhas do guarda roupa.... limpando toda poeira.

Abrindo espaço no guarda roupas assim como em mim mesma.

Eu acho que nunca vou pertencer mesmo.
Nunca vou entender estas pessoas... este jeito de descartar alguem assim.
Que triste é a vida lá fora.

Sem afeto, sem profundidade.
Onde as pessoas são substituiveis...

Uma vaga no estacionamento... uma carona.. sei la.

E não tem jeito.
Eu jamais serei isto mesmo.
Sempre sei quem sou ... mesmo quando não pareço.

Triste, porque dois amigos muito queridos me deixaram.
Um de longe, que eu prefiro não dizer... ainda estou chateada ... ainda sinto ..

E um anjo, que Deus colocou no meu caminho, que me levou ate aquele lugar de descanso.... de refrigério... que pena.

Segurei para não chorar... quando virei para um lado e ela seguiu para o outro...
Segurei porque sei que este anjo ainda volta.

E achei melhor caminhar, de volta pra casa... mesmo com as pastas... e bolsa.. e o salto.

Fui andando.... sentindo o vento...
Saudade grande de sentir o vento... o pensamento se perde....
...
Vou dançar em dezembro. Ainda não me preparei.
Mas nunca me preparo... sempre é espontanêo.
__ e vou conversando comigo..

Ate dobrar a equina e encontrar minha casa.
Alguem deixou um bilhete no portão.
Por engano.

Sorrio pra mim mesma... Um bilhete por engano!!
Isto é ser sozinha mesmo.

Sorrio e percebo naquela hora isto não me importa mais.

Contristada.

Esta música tocando dentro de mim... sem parar...

Sweetness Follows
R.E.M.
Composição: Indisponível
Readying to bury your father and your mother,
Pronto para enterrar seu pai e sua mãe,
What did you think when you lost another(friend, love)?
O que você pensou quando perdeu outro?
I used to wonder why did you bother,
Eu me espantava quando vocês se aborreciam
Distanced from one, blind to the other?
Longe de um, cego para o outro?

Listen here my sister and my brother
Escute aqui minha irmã e meu irmão
What would you care if you lost the other?
O quanto vocês poderiam se importar em perder o outro?
I always wonder why did we bother,
Eu sempre me espantei do porque nós não nos aguentarmos
Distanced from one, deaf to the other.
Longe de um, morto para o outro.

Oh, oh, oh but sweetness follows
oh, oh, oh mas docê perseguição
It's these little things, they can pull you under.
São essas pequenas coisas, elas podem de colocar para baixo
Live your life filled with joy and wonder.
Viva sua vida preenchida com alegria e maravilha
I always knew this altogether thunder
Eu sempre soube que este trovão de tudo
Was lost in our little lives.
estava perdido em nossas vidas.

Oh, oh, oh but sweetness follows.
Oh, oh, oh but sweetness follows.
It's these little things, they can pull you under.
Live your life filled with joy and thunder.
Yeah, yeah we were altogether
Lost in our little lives.

Oh. Oh. Ah.
Oh, oh, oh but sweetness follows.
Oh, oh, oh but sweetness follows.

enviada por Marília Gabriela



26/11/2008 19:22
Um vento antigo
tange as crases desse poema, arrasta
os pontos de exclamação pelos cabelos.
Estende-os para secar
o sol mais triste de seu nome.

O laço de fita
que prende me os cabelos
mais parece uma borboleta.

Um ventinho qualquer
e saio voando

rumo a outra vida
além do retrato.

Uma vida onde os maridos
nunca chegam tarde
uma vida onde há romance, e conto de fada
uma vida onde não há agressões nem violências,
e eu não sinta gosto amargo de sangue na boca.

Onde não sobram contas a pagar
nem cabelos
brancos nem muito menos rugas.

Um ventinho qualquer...

O laço de fita
prende sempre — coitada! —
os cabelos da moça.
O meio-dia a esmo

Toda palavra tem luta
com as folhas mortas do terreiro.

Alfabeto crivado de dízimos
onde não se pode tagarelar
sem doer um grão de arroz
por sob a língua.

Palavra carece de pátria
lugar de raiz e eleição.

Onde adensa sua espera, duas borboletas
grifam a giz a paisagem.
Ser sincera,

a eternidade não conhece o amor.

O amor também não sabe
verdadeiramente
o que é o amor

e, no fundo, nós nunca acreditamos muito
nisto
sem dor.


enviada por Marília Gabriela



25/11/2008 20:10
E de repente a manhã.

__manhã é céu derramado,
É Claridão, claridão__

Vai derramando ânsia imensa de viver,
Vai derramando um Perdão,
Vai derramando uma Vontade de Cantar....

Uma Vontade de dançar;

AS árvores da rua,
A réstia do mar, as janelas abertas
O pão esquecido no balcão.

É muito cedo , eu sei.
O Casal de velhinhos caminhando de mãos dadas, rindo !!
Encho os olhos com a visão deles... me esqueço.

O homem que passa com cara de sono,
Os passarinhos cantando.

E todas estas coisas encontro num pedaçinho de rua.
Mais uma manhã avança
E de passagem derrama
Aqui uma alegria,
Ali uma frase.
Deixa uma esperança, mais além uma Coragem,
E além , aqui e ali

Pelo caminho... amorosa e Transparente
É esta manhã que o Céu inteiro Derrama
Esta Beleza mensageira de cada manhã;

Cristal de claridão.
E dentro desta manhã vou caminhando.
E me vou.

Brisa , luz de amanhecer.

Um amigo me disse,
“ Marília, o que você precisa pra deixar de ser seguida por esta saudade??...”

Penso!
...

Que todos os dias da semana,
Incluindo as terças mais cinzentas, têm direito a tranformar-se em manhãs de cristal.

Que,
A partir deste instante, haverá jasmim em todas as janelas.

que vou encher minha casa de flores... porque vêm chegando a festa das luzes...
E uma mistura de solenidade, gratidão, contemplação me invade.
Não sei dizer.

Não tem sido fácil.
Pesadelo horrível a noite passada, mal dormida.
Sempre o mesmo , repetido.
eu sempre a mesma.

E não consigo parar de pensar... então oro baixinho..

Que eu fique bem
Mesmo que não faça nada
Que eu fique bem

que eu esteja bem
Mesmo se ficasse doente de novo
ainda que perdesse meus cabelos e minha juventude

Que eu fique bem
que eu esteja ótima
Mesmo que eu não seja mais uma princesa

Mesmo não sabendo tudo

Que eu seja amada
Mesmo enfurecida
Que eu possa estar bem
Mesmo quando estou quebrada

Que eu seja amada
Mesmo se enlouquecesse
Que eu esteja bem
Com você, ou sem você..

Que eu não encontre ninguem em quem eu possa me refugiar.
enviada por Marília Gabriela



23/11/2008 16:58
Alta esquina no céu, minha janela...
Surge de sombra e a sombra faz Dourada.
Já não me sinto só defronte dela.
E chega doce a amarga madrugada.


Atrás de mim se estende alva e em sonho
E me Leva,
Desamada, Livre
Sem saber

Que mais amor te invento e que te ponho
Sobre o corpo um lençol de Amanhecer.

Seria doce dormir leve e pura
Depois da dura e fatigante Lida.
Que a Vida já me Deu.... Mas é doçura.

Que vem no mais azul do peito
Onde o amor sofre a pena malferida
De ser tão grande e ser tão Imperfeito.


Trago no Peito um Mistério
Que escorre pelo Silêncio
De gravíssimas estátuas, que imensamente contemplam
AS nuvens Altas do Céu!!!!!!!!!!!!!!

Como um pássaro que vem
Voando, voando, como um pássaro
Que vem há séculos Voando,

Assim danço!

E Respiro e Canto.

Sabor de Mar e Infância
Entre tudo que é Dourado... Voando.

A funda melancolia...
.... da solidão...

Da luta, da vida, de tudo que se foi.

Mas o Milagre do meu Canto
Chega e bate , Violento.
Como bate o mar azul de encontro às rochas.

Canto de Sol
A Garganta Iluminada
Numa rosa de alegria.

Chega um dia em que o dia se termina...
....antes que a noite caia inteiramente.

Chega um dia em que a mão, já no Caminho,
De repente se esquece do seu Gesto.

Chega um dia em que o amor, que era infinito, de repente se acaba...
...

Força é Saber Amar Doce e Constante...

.... com encanto de rosa alta na haste,
Para que o amor ferido não se acabe
Na Eternidade Amarga de um Instante.

Força é saber Viver , Amar, Levantar com Doçura.
Com Bravura!
Ser Constante e Íntegro.

Pensando em Tantos, sempre, e Todos os meus Porquês!

Porque você ainda tem fé, mas acha que no fundo mais fácil seria ignorar os conselhos.

Porque os espelhos podem dizer mais do que você gostaria à 1h e 13 minutos da manhã.

Porque todo mundo, de alguma forma, quer se proteger e não se machucar, não se expor, não correr riscos de qualquer natureza.


Porque todo mundo tem medo de ser chato e irritante e desinteressante.
E tem medo de pegar muito no pé e se tornar chiclete, vulnerável ou muito disponível.

Porque a paciência é uma virtude, mas nem sempre é a sua.

Porque a lua alta brilha e você simplesmente adora o Fernando Pessoa.

Porque existem bilhões de pessoas no mundo mas de repente... sei lá o quê.

Porque você nem percebeu e pouco te importa a crise nos Estados Unidos, ou o discurso do Obama que emocionou meio mundo.

Porque a música velha de sempre ( Enjoy,...ANa!!!) pode ganhar nova roupa,
o salto pode quebrar e você se sentir sei lá quanto sexy mesmo parada na chuva esperando a carona.
... Bonita, mesmo com as amigas e amigo, fazendo graça de você plena madrugada, no Mc Donalds.. num lugar pra lá de chique em São Paulo!

E porque a vida se refaz nestas pequenas coisas como a Guerra de Travesseiros ainda na mesma madrugada !!!

Porque você pode odiar que ele não tenha ido e querer que o mundo se reposicione de outra forma.

Porque o seu medo é o quê.

Porque Placebo cantando Katie Bush até ressignificaria a sua madrugada de segunda.

Porque você não sabe. O quê. Por quê?

Porque as interrogações são múltiplas.
Porque o desejo cala.

Porque as palavras somem.
Porque a indecisão... Porque. Porquê. Por quê? ...

enviada por Marília Gabriela



20/11/2008 03:48
A noite já foi mais noite,
A manhã já vai chegar.

Não vale mais a canção feita de medo e arremedo
Para enganar a Solidão.

Agora Vale a Verdade
Cantada Simples e Sempre.
Agora vale a Alegria
Que há de ser construída Dia-a- dia

Feita de canto e de pão.
Breve há de ser
Sinto no AR...
Sinto na pele da água
Tempo de trigo maduro
Vai ser tempo de ceifar.
Chuva azul.

Já é quase tempo de amor.
Colho um Sol que arde no chão,
Lavro a luz dentro da casa
Minha alma no pôr do sol.

Madrugada pontiaguda
Faz escuro ( já nem tanto),
Faz ecuro mas eu Canto.

Porque a manhã vai chegar.

Agora Sei quem sou.

Sou pouco, mas sei muito,
Porque SEI o poder Imenso
Que Carrego Comigo.

No fundo escuro do silencioso rio,
Águas profundas de vida e esperança.
Hoje é como uma árvore
Plantada bem alta no meio da minha Vida.

Agora sei as coisas como são.
Sei porque a água escorre triste
E porque afago é o seu ruído
Na noite Estrelada
Quando me deito no chão da casa que é minha.

Agora sei as coisas poderosas
Que valem dentro de mim.

Um dia serei encontrada e Amada
... Aquele será resposta e abrigo..
Que verá minha beleza
A ternura oceânica do meu olhar,
Verde de todas as cores
E sem Nenhum horizonte.

Minha própria pele fresca e enluarada.
Minha infência prateada,
Minha sabedoria fabulária
Brilhando distráida escondida em segredo.

Grandes coisas simples aprendi na tormenta,
Com o balançar do vento,
Com as chuvas de verão
Aprendi
Que o amor reparte,
Mas sobretudo acrescenta,
E a cada instante mais aprendo
Seja com meu jieto de andar pela cidade
Como se caminhasse de mãos dadas com o ar,
Minhas delicadezas secretas
Partindo ao meio e unindo os extremos da vida,
Mostrando a Verdade

Conhecendo o Caminho.

Sentindo apenas gratidão.


enviada por Marília Gabriela



17/11/2008 21:03
Aqui está a minha vida!
Vida que não se guarda, nem se esquiva, Assustada.
Vida sempre a serviço da Vida.
Pra servir ao que vale
A escrita, a Verdade ao Amor.
Andar pelo Caminho

Ainda que tudo me doa
Não encolho a mão: a estendo mesmo vazia.
Avanço

Mesmo envolta em neblina
Dentro da Noite mais fria.
A Vida que vai comigo

É Fogo e é Vento
...
O jeito Doce e Violento

Da minha vida: este gosto.
Água profunda transparente.
A VIDA vai no meu peito,
Encrustação de Ouro,
É quem Vai me Levando
Renova todas as Coisas

Carrego este grito que cresce
Cada vez mais na garganta,
Cravando seu soneto triste
Na Verdade do meu Canto.

Canto do entardecer
Que sabe ler os recados na asa do vento
Sabe também o tempo da febre e o gosto da fome.

Então avanço cantando.

Sei que estou no meu lugar como a estrela na escuridão.

O que passou não conta??
Me indagam... me Condenam.
Me magoam.

Não deixa de Valer nunca
O que passou ensina.

Não, não tenho caminho novo.
O que tenho de novo
É o jeito de Caminhar.

Aprendi
A Caminhar Cantando.
A Caminhar Dançando.
Como Convém a Mim.

Aqui estou eu,
Plantando flores no meu Jardim.
Quando me desespero e choro....
Ele me acolhe sempre... cheirando a Jasmim.

Delicada e branca.
Pedaço de Sol iluminado... traz apenas a esperança de ver o amor de perto.
E sem ter canto,
No peito Machucado, de repente
De coração comigo vai cantando.. e vai na vida, a vida que maltrata
Achando uma Fé nova, a cada manhã.

O Tempo é de Cuidados
É tempo de Vigília
O Tempo é de Mentira.

Não poderia ter deixado livre a menina perolada.
Deveria ter sido protegida da Violência
Das Amarras... da Crueldade...

A sombra ja desceu... perigosa esta canção de amor...
Lhe cortou os cabelos de ouro, arrancou seu coração ...
Lhe bateu.

Agora é tempo de cuidados. De Reparos.
E derramar Luz no instante certo,
É uma espera que Doe,
Mas vale a pena.

Não será sozinha nunca mais.
Nem só na solidão, nem no poder.

E é quando canto
Que te defendo...
Nestes tempos de cinza em que a vigília e a guerra,
Espada em flama erguida como a rosa,
Só poderá cessar quando outra vez
Regressar o Amanhecer
Que vai Lavar de Luz o chão Amado
E Seremos de novo
Simplesmente


enviada por Marília Gabriela



15/11/2008 20:01
Tentei escrever todos estes dias, mas não consegui dizer de mim.
Nem das pessoas ao meu lado.

Todos os dias acho que não serei forte o suficiente. Avançam as horas, eu resisto.
Com bravura, com coragem que não sei Bem se é minha.
Sinto silêncos, faço orações.
Acaba mais um dia. Eu sozinha.

Meu jasmim todo florido... a noite perfumada.

Dormir é sempre um desafio.
Tento esquecer.
.... do que sofri.. do sonho que perdi.. que me foi arrancado....
Do vestido branco, das flores no cabelo... do filho que chamaria Benjamim.
Esquecer.
Disto tudo.
Esquecer que apanhei, que me machuquei... que sobrevivi.
Mesmo quando não queria , nem me esforçei Sobrevivi.

Chora o interior de cristal pontiagudo.
Olho no espelho. Nem sei se sou eu que vejo.
Eu não tinha este rosto... estes olhos...

Nunca percebi beleza.
Mas não era esta....

Respiro pelo coração.
Escuto meu nome.
Obedeço.

Ainda sou a mesma.
Algumas vezes, me repito.

Então sinto vontade de escrever uma oração.
Uma oração que externasse minha crença, minha fé, minha força.
Uma oração que externasse a confiança que possuía na palavra.
Não só aquela do livro, mas aquela que vinha do alto e que consigo escutar toda vez que oro em silêncio.

Então senti vontade de escrever uma oração. Mas tive medo.
Medo de ouvir a voz que vinha de dentro.
Medo de hesitar, de arrepender-se, de querer voltar atrás sem poder.
Queria agradecer, mas só sentia culpa.
Sabia que era abençoada, mas não se sentia merecedora de tanta benção.

Chorava de um sentimento que me invadia e que não sabia qual era.
Deus estava comigo, naquele quarto escuro, em meio a pensamentos confusos, e sabia que Ele não se importava com toda minha bagunça .

Me sentia amada e entendida.
E perdoada e amparada.

Eram muitas as vozes, mas ela não estava sozinha.
Então senti vontade de escrever uma oração.
Mas tive medo.
E quis agradecer a confusão e a companhia.

Descobri, que não carrego mais o medo que desde criança tinha do Escuro.
Estava sozinha. E viu!! Que não estava de fato só! E não TEmia!!

E senti tão SEgura!!! SEnti tão Amada!!!
Iluminada por velas... andei pela casa vazia... tão grande;
E ate achei beleza e certa poesia... ao ir levando luz a cada cantinho .. seu e dEle.

SEnti me Imensa. GRandiosa.
VAlente.

Quis agradecer toda a dádiva, a imperfeição, toda a compreensão.
Sabia que no universo, por mais Onipotência que o criador tivesse também os seus caminhos seriam aqui e ali atravessados pelo livre-arbítrio tanto seu quanto de outras pessoas.

Mas sentia fé.

Agradeci a força da decisão.
Orei.

Que eu não seja atravessada pela culpa.


Senhor Deus, ...


(Sinto silêncios. Choro profundamente e agradeco.)

Amem
enviada por Marília Gabriela



11/11/2008 00:35
... talvez este não seja o momento exato para escrever... ou para qualquer tentativa de escrita...
Mas não consigo me abster.

E também, estou tão sozinha, e escrevendo converso comigo, com Deus.
Acordei as 5hs e 27 minutos exatos.
Uma manhã de segunda daquelas que eu amo. Meio pálida, ainda fria. O céu azul azul entre nuvens.
Esperei um horário mais seguro para eu poder sair, correr.
Respirar.
O Ouvido cheio de música, o coração pequeneninho. E lá fui eu pelo meu caminho.
A cidade em silêncio fora de mim.
Tantas orações no coração ... tantos passos avançados.

“Como sou Boba!” “ Como eu pude acreditar !?” ... “ EU achei que era Verdade!”
... “ também quem amaria esta menina???” ... “ quem poderia??”

“Como sou Boba!!” ... “ Como eu fui me enganar desta maneira!??”
“ Por que eu ?!?!?!?!???????????”

“Por que entre tantas pessoas Justo EU ??? Justo comigo?!?!?!???????????”
“Por que?”

1 hora e meia depois, resolvo voltar antes de terminar meu caminho.
E volto bem depressa porque sinto que vou chorar.

Repito baixinho a musica.

Não estou sozinha! Penso! Não estou Sozinha!!
Não ! Naot estou sozinha!!

Não suporto e cae uma lágrima , depois outra e outra.
Passa um rapaz de bicicleta.... da outra volta.... passa de novo....

Eu olho pra cima.
Olho pro céu.
Ja sem nuvens. O sol. O céu azul.
me faz lembrar do poder de Deus
....
... Beijar a luz do Sol...
Sentir se Viva , iluminada e envolvida, sem muito de mim.

Esvazio de mim.

Está ali o que sinto. O que sou.... Respiro e Agradeço ...

Passa o resto do dia , e nem percebo.

Me encontro ao anoitecer. A casa , a gata e eu.

Queria um Conto de fAda!!!
Será que isto existe???
Um amor assim... um romance assim..... será que existe??
Um Principe.. um resgaste
Um Anestésico....

Que me fizesse Calma e Segura.
Protegida.
Bem perto.

Algum conforto.
Algum consolo.
Um bom amigo.
O melhor amigo
(...)

Exausta.

Plantei tantas flores o meu jardim!!!



enviada por Marília Gabriela



09/11/2008 14:35
Não é segredo, o que eu sinto.
Os que me são queridos sabem como me sinto em relação ao Natal.

Claro que sei que teoricamente esta data está errada, mas celebrar ainda assim... Simbolicamente.
Desde criança, este era um dia para mim onde tudo poderia acontecer.
Onde o impossível se torna possível e Milagres simplesmente aconteceriam.

Bastando apenas uma só palavra de Deus.

Este ano, muito diferente dos outros.
O Natal será como um punhado de Areia que me escorrerá entre os dedos???

É começo de novembro ainda. EU sei.
Mas semana passada eu começei a sentir o coração mais pesado.
E entrei nesta esfera de celebração, que sempre foi minha.
A meu modo.

Desci a árvore e os enfeites do sotão... com a ajuda do cunhado.
Limpei a poeira de tudo.Sozinha.
Não resisti.
Montei a árvore. Só a arvore.

__ Marilia!! Você não acha que está muito adiantada!?!?!??!

Com a desculpa que é apenas pra gatinha ir acostumando com a árvore, me justifico e sinto um pouco menos boba ou infantil.
Mas triste.

Quebrantada.
E Agradecida.
Quebrantada e entregue.

Não ao que chamam de espírito natalino.
Mas agradecida por ter sido escolhida.
Por ter recebido o Espirito da Verdade que o mundo não pôde suportar.
Que tantas pessoas não Conseguiram Suportar...
... e partiram.

Mas eu fui escolhida.
Passaram dois dias não resisti. Iluminei a árvore.
Então chegava em casa no fim da tarde , ascendia as luzes e de alguma forma, boba, aquilo Trazia um pouco Mais de Ternura.

Ternura.

Por fora sou uma fortaleza.
Só Deus sabe !! Aqui dentro!!! Como está!!

Difícil tentar descrever.
A falta enorme que faz a parte que perdi.
Mas decidi Viver... viver só para Ele.
Sem turbar meu coração... apenas crendo.
Isto basta.

Nesta manhã de domingo, amanheci sozinha.
É só mais um dia .
Estava um pouco chateada pela noite de sábado.

Nada mais ali é capaz de me atingir... nem ninguém... é indiferente... e não importa.
...mas porque aquilo tudo me fez lembrar de novo, eu só consegui olhar pra mim... pra dentro de mim... pra fora de mim...

Eu não era mais a mesma.
Mas ainda sou eu.
Como isto é possível??

Desci, vi o sol se levantando rápido em meio um céu de baunilha.
Resolvi.
Vou enfeitar minha árvore.
Senti as lágrimas me subindo aos olhos.
Apanhei uma com o dedo e desenhei um anjo na vidraça da sala.
Quando percebi que desenhei um anjo com a minha própria lágrima, não consegui deixar de rir.

Qual é a diferença entre lágrimas de anjo e um anjo de lágrimas??

Engraçado. ... Nós choramos quando alguma coisa é triste.
E às vezes também derramos uma lágrima quando alguma coisa é muito bela.
Quando algo é engraçado ou feio, nós rimos.

Aqui, tudo é destruído com tanta facilidade.
Nem sempre a gente Compreende totalmente aquilo que Criou.

E algumas vezes somos enganados... sofremos...

Impossível não pensar, quando eu morrer...

.... Um Fio de Prata de um cólar de Pérolas vai se Arrebentar, e todas as Pérolas, lisinhas e acetinadas, vão rolar pela terra e correr de volta para casa delas l´ano fundo do mar.

Quem Vai Mergulhar e Apanhar minhas Pérolas depois que eu tiver ido embora??

Quem vai saber que Eram Minhas??

Quem vai adivinhar que Antigamente, Há muito tempo, o Mundo inteiro Pendia em Torno do meu pescoço???

Então escrevo.

Escrevo porque alivio meus pensamentos vagos em palavras que ficam aqui.
Escrevo porque expresso a alma para o mundo que ficará quando eu morrer

Escrevo para ser voz de Deus para os que anseiam por Ele
Escrevo porque amo, e por amar tanto, tantas coisas que Deus fez, quero por para fora para que todos saibam quem Ele é.

Escrevo para questionar o erro, a injustiça e protestar com palavras aquilo que muitos só o fazem em pensamentos.

Escrevo por liberdade , para abrir o coração do mundo e tirar de lá a impureza e plantar um pouco do bom
Bom que me inspira para continuar vivendo nesse mundo e sonhando com o incerto, ...
....sabendo que certo será a eternidade e que um dia sairei do mortal aqui para o lado imortal de lá.

Estarei do outro lado do espelho.

Escrevo para dar esperança com palavras que são difíceis de ouvir constantemente, pois em meio a tanta gente as letras e sílabas somem por aí
Escrevo para comunicar a mim mesma o que preciso ouvir e aprender e juntamente comigo os que se interessarem em ler
Escrevo…. escrevo

Sinto silêncios.

enviada por Marília Gabriela



06/11/2008 20:02
... respirando pelo coração, sinto a presença dAquele que me faz forte e sempre.
Sempre vem ao meu encontro. Transpondo montes e vales...
Anulando o tempo.

Penso nesta casa.
Do modo como simbolicamente construí...

Pedra sobre pedra:
Tijolo, sonho e argila.
Custaram-me os alicerces
A metade da asa
Direita,

A outra metade,
Serviu de escora Às traves que a sustentaram o quanto pude!!!

A asa esquerda perdeu-se Na argamassa.
E Uma casa tão clara,
Aberta aos ventos,
E a cada dia sempre
Renovada.

Aqui plantei minha vida,
Nos esquadros E soleira das portas.
Ancoradouro e barco,
Minha casa.

Daqui se ouvia o mar
E o canto das sereias,
Se nostálgico das janelas
O olhar se alongava.

Mas o perfume do jardim
Meu Jasmim Florido perfumado,

E eu ficava e fiquei
Fui sempre
A guardiã da casa.

Pássaro do abismo,
Mensageiro do infortúnio que viria,
Meus olhos
Pressentiram o desastre.

Ventos do sul sopraram
Sobre a casa.
Marés de março

Enormes, com suas vagas,
Submergiram e arrasaram
Da soleira aos telhados.

E por fim Abril... o mais cruel dos meses o Olho de furacão,
Espiral de sargaços,
Conheci o sumidouro,
A fúria da voragem.

Sobrevivente do escarcéu
Hoje, náufraga, na casa,
Sei que as paredes permanecem
Intactas, com suas marcas,
E novamente, aos poucos,
Com meus dedos quebrados,
Vou recompondo lentamente
O telhado arrasado.

Aqui não é um lugar de desamor
Tempo de antes e tempo de após
A espera : nem a luz do dia
Que reveste formas de lúcida quietude
Transfigurando sombras em beleza transitória
E cuja lenta rotação sugere permanência
Nem a escuridão que purifica a alma

Esvaziando o coração com privação
Purgando de afeto o temporal.
Nem plenitude nem vazio.
Um entremeio apenas
Sobre faces tensas repuxadas pelo tempo
Distraídas da distração pela distração
Cheias de fantasmagorias e ermas de sentido
Túmida apatia sem concentração

.... pedaços de papel rodopiados pelo vento frio
Que sopra antes e depois do tempo, vento
Fora e dentro de pulmões enfermos

Tempo de antes e tempo de após.
Eructação de almas doentias
No ar denso, amor.
Não aqui
Não aqui a escuridão, neste mundo de batalhas.

As palavras se movem, a música se move
Apenas no tempo; mas só o que vive
Pode morrer.
As palavras, após a fala, alcançam o silêncio.
As palavras ou a música podem alcançar
O repouso, Perpetuamente em seu repouso.

Não o repouso do violino, enquanto a nota perdura,
Não apenas isto, mas a coexistência,
Ou seja, que o fim precede o princípio,
E que o fim e o princípio sempre estiveram lá
Antes do princípio e depois do fim.

E tudo é sempre agora.

As palavras se distendem,
estalam e muita vez se quebram, sob a carga,
Sob a tensão, tropeçam, escorregam, perecem,

Não querem ficar quietas. Vozes estridentes,
Irritadas, zombeteiras, ou apenas tagarelas,
Sem cessar as acusam.
A Palavra no deserto
É mais atacada pelas vozes da tentação,
A sombra soluçante da funérea dança,
O clamoroso lamento da quimera inconsolada.

Abril é o mais cruel dos meses

Eu disse à minh'alma, fica tranqüila, e espera sem esperança
Pois a esperança seria esperar pelo equívoco; espera sem amor
Pois o amor seria amar o equívoco; contudo ainda há fé

E a Fé, o Amor e a Esperança permanecem todos à espera.
Espera sem pensar,
Assim a treva em luz se tornará, e em dança há-de o repouso se tornar.


enviada por Marília Gabriela



05/11/2008 20:21
EU Não vou chorar
Limpei essas lágrimas dos meus olhos

Deus,
Faça Meu coração realizado
Transforme essa tristeza em adeus

... não me desculparei mais..
Não chorarei mais....
.... pelo que não vale.


Talvez logo esqueça...
O luar invade a casa
como uma serenata para cordas.

Na memória
essa lua olha
naquela sala antiga
o amor.

Minto.
Não era a mesma lua.
Nem a mesma sou.


Eu sei todas esperanças e sonhos se foram
Mas a vida com suas lembranças continua e continua...

Talvez em breve passe e passe

Era tudo tão diferente
Ainda não consegui assimilar
Parece que tudo que sempre foi
Nunca existiu
Agora não há ninguém em casa

É tão difícil seguir em frente
Dizem que a vida continua
continua sem parar

A notícia que realmente choca é a página vazia
Enquanto o último canto balança a gaiola vazia
E eu não consigo lidar com isso

Deixar fluir e seguir em frente
Sentindo falta do que se foi

A vida continua
Nas pessoas que eu conheço
E todos que estão pelas ruas
Em todos os cães e gatos

No apodrecer e na ferrugem

Nas cinzas e no pó
A vida continua sem parar
A vida continua sem parar

É apenas o carro no qual andamos
Uma casa na qual residimos
O rosto no qual nos escondemos
O modo como estamos unidos
E a vida continua sem parar
A vida continua sem parar


Eu acreditei nessa mentira tua?
Ou eu acreditei nesse sonho?

Agora eu posso encontrar alívio

Eu sofro

enviada por Marília Gabriela



03/11/2008 11:43
Foi um põr do sol... a viração do dia...
... onde me deixei.

QUe me importa como sou chamada lá fora?
Que importa o que as circusntancias e aparencias me anunciam??
Ouço o silêncio do mundo.


Amanheceu um dia lindo... feito só para mim;
Corri... com o vento.

Nunca soube escrever o vento.

Se as palavras fossem bailarinas
sobre o papel

se o papel fosse árvore
em movimento

Impossível escrever o som
quando tudo é instrumento

:o céu, o mar, a terra
o corpo e seu alento.
vento apenas
— pródigo vento —
todos os tons esbanja
e a si próprio assemelha
Lá amarelo em flauta doce
a única flor
no jovem ipê.

Esplende
entre os tenros caules
num alarde

que o chuvisco rasga
derruba
e cala.
Vazio e forma se equivalem.

Não falo de contornos
de pausas
mas de ausência.

Da paisagem engolfada
na garoa densa.

Do mundo inconsistente
que amarro em signos

quando também estou
em suspense
e para outro visor
inexisto.


enviada por Marília Gabriela



01/11/2008 01:10
Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Meu Deus, me dê a coragem
de viver
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
entrelaçada a Ti

Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as ofensas à minha alma e ao meu corpo.

Faça com que a solidão não me destrua.

Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.

Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.

Receba em Teus braços
o meu traço delicado.



enviada por Marília Gabriela



30/10/2008 10:09
Em um sonho então encontrado,
Com o sol está ela,
Está ela, aqui dentro.
Ensolarada de luz,
Ela vem para fora.

Eu desperto de um pesadelo.

Texto de Vinícius de Moraes. Umas das declarações mais bonitas de amor e beleza.
Que um dia este Amor... venha me Encontrar!!!!!!!!!

"Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai,
eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde,
tem um ar recuado e gosta de brigadeiro:
quero dizer, o doce feito com leite condensado.

E porque você é uma menina com uma flor
e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras.

E porque você quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar.

E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido.

E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, como uma santa moderna, e anda lento, a fala em 33 rotações mas sem ficar chata.

E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás,
aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval;
e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca.
E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de
mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa,
e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é
uma menina que não pisca nunca e
seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação,
e você é capaz de ficar me olhando horas.
E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara– na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo
você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando.

E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração
e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor,
eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho,
como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa
e escura que não vai dar em lugar nenhum;
os móveis ficam parados me olhando com pena;
é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar
porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas,
a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê.

E porque você é a
única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita
para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você se por acaso não morrer também,
fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando
sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira,

minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora –

tão purinha entre as marias-sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé,
aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração,
como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez
mais depressa.

E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o
mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus
espantos – eu sei, ah, eu sei
que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei;
e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno,
foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim,
cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas;
foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações

– porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor."

*


enviada por Marília Gabriela



29/10/2008 10:58
(...)

Noite azul em cima do céu
Noite azul em cima de mim
Desapareceu fora da janela
Eu com minhas mãos
Escondidas debaixo de meu rosto
Eu penso no meu dia

Hoje e ontem

Eu vesti meu pijama azul
Fui direto pra cama

Eu Fecho meus olhos

Um rio prateado
Ilumina o mundo inteiro e olhos esverdeados
Cortam o céu estrelado
Eu faço um pedido e agora eu fecho meus olhos

Que possa agora tornar-se realidade

À velocidade das estrelas

Dentro de meu coração explode, um estrondo de avião
Rachado, aberto, a terra canta
...faço um pedido e agora eu fecho meus olhos
...................uma pequena dança

Tudo é esquecido
...Felicidade,
sonha tornar-se real
Eu abro meus olhos

Um milenio em palavras
Mil palavras, que me enterram à morte
Sem entranhas, continuo me ferindo
Eu preciso sair

Um milenio em palavras
Mil palavras, que me contam toda a historia

Ninguem vê, atraves de palavras vazias
Há sempre alguma coisa

A ultima lagrima cai
Eu a seco
Os ultimos anos de uma vida

Os ultimos anos vividos

O ultimo rio segue seu curso
As feridas - sim, elas se curam
A vida se refaz
Mil palavras na morte

Um milenio, lagrimas correm

Feridas, que juntos curamos
então nos movemos

A ultima lagrima cai
Eu a seco
Os ultimos anos de uma vida

As ultimas esperanças sao puxadas
O ultimo rio segue seu curso
As feridas - será que encontrarão cura??

As feridas, elas se curam ????
A ultima lagrima cai

Ainda não encontrei meu Lar.

Meu melhor amigo, independente do que acontece
Eu trago uma lágrima e uma flor nos cabelos

nós choramos de mãos dadas
Quando nós nos encontramos
Você sempre escapa, nós corremos rapidamente

Tudo fica menor
Eu grito mais alto
Está a ponto de escapar, vai-se para longe

Meu melhor amigo, independente do que acontece
Eu trago uma lágrima e você inspira meus cabelos
...e de mãos dadas
Quando nós nos encontramos
Eu desmorono.

coração golpeia


O coração golpeia,
Como sempre, mas desta vez
Fora do ritmo com o tempo
Perdido e esquecido em casa
Prestes a explodir (pelo nariz)

Observo a ferrugem (que cresce em mim)

Eu paro em pé, tonta / atordoada (eu me esfarelo)
Ando em círculos (ando após mim mesma)

Acordado mas posto para dormir (eu não durmo nem o mínimo)

Eu falo baixo
E viajo por dentro de mim mesma vasculhando

Procurando por vida
....por um instante que seja
Fico parado em meu lugar
Com a esperança como amiga
E ganho um tempo

Procuro por um começo perfeito
Mas ele se torna um desapontamento

O coração pára (não se mexe)
Eu insiro um marcapasso (que engulo e escondo)
Encontro um cabo de ligar (e me ligo)
Vejo tudo dobrado (escuro)

Continuo a procurar
Incontrolável
Só!


enviada por Marília Gabriela



28/10/2008 22:21
ME abandono assim, sem Resistência
Deixo vazar, deixo alagar, deixo Inundar.

E me solto fluida, em passiva essência ...

E o espírito bem baixinho suspira:
Ser amada
A Absoluta Urgência
Amar
Ser amada
Amar
Amar

... Sinto me Tão Sò!!!

Todas as cordas da alma, tesas.
As frágeis paredes Já não detêm a Represa,
E as águas encapeladas
Do meu Descontentamento
Vazam Desordenadas

Inundando a imperfeição da minha ausência...
Das minhas Incertezas.

Da minha Perda.

De toda esta confusão.
Toda culpa.

Sinto-me tão Sò!!

Às vezes, por uma destas razões incompreensíveis da natureza humana,
Descobrimos com espanto que há pessoas que Simultaneamente
... nos Elevam e nos Abatem...
.... nos levantam e nos derrubam....

Nos Apedrejam e deitam Bálsamo

Nas nossas Feridas


E, mais perplexa ainda fico, quando reparo que, por um capricho, quem sabe
Da nossa mísera condição,não somos vítimas passivas...

E que Vivendo... aqui e ali...
Vou me distribuindo
(querendo ou não querendo)

Vou me deixando.

Neles...
... deixando para eles... lembranças de mim....

Vou me deixando entre
Alegrias e dores
Mágoas e Alentos

Luz e escuridão


Como se Dançasse


Em perfeita sinfonia de esferas...
...perfeita sintonia com minhas canções e aromas.

E assim vou rascunhando
Estes escritos de despedidas... de resignações

São versos tristes que já estão quase a falar do Poente.

De um amor que já conheceu
Inesperados dias

E se falta coragem...para falar,,,
Em silêncio fecho as portas e as janelas.
O pior inimigo é aquele que consegue Aniquilara nossa Fé.
... sentir medo.
Medo do amor , tão grande e visceral.
Medo da amplitude de Todas as minhas Expectativas.

Sinto medo da mágoa , que intensa caminha
Paralela ao meu coração.

Dos extremos , da Luz e da escuridão....
... do céu aberto

De tantos altos e baixos
Que permeiam cada Capítulo meu.

... Saudade é envidar todos os esforços
Para Esquecer.

Sem, contudo, perder a mania de
Retomar os restos Tangíveis
...que Permaneceram,

Mesmo que com os olhos marejados...
Ainda que por lábios gaguejantes.

E descobrir que esses “restos tangíveis”
Estão Vivos.

Ainda são seu maior e melhor Legado.

Fenecem sonhos.... flores... sorrisos....
Mas A Lei da Vida é florescer.

Do meu lado esquerdo , no criado mudo o livro
...abro numa página qualquer, e encontro palavras amigas:
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Penso.
Penso.
Do que adianta ter a vida cheia de aparências, religiosidades e tradições.
Ser conhecida, tanta vaidade, tanta violência, beleza exterior.
SE por dentro. ... estou só.
SE há um Vazio....e só;

enviada por Marília Gabriela



23/10/2008 22:53
Caderno terapêutico
Oração
Gritos no carro (socos no ar também)
Abrem-se contagens
Travam-se silêncios
Cerco de falsos amores
Caminha-se a largo
Caminha-se, mas nunca o bastante
Entre um gole e outro de chá

“Felix qui potuit rerum cognoscere causas”
Feliz aquele que pode conhecer as causas das coisas

Tentativa de trazer para si
Doses de felicidade
E pensar na simplicidade da palavra
Que explicaria um universo
Diminuto, tímido
Quase inexistente
Sem ela
A vida dela sem ela mesma ali
E pensar na simplicidade das palavras
Ditas, não ditas, benditas, palavras…
Cadernos
Oração
Gritos
Silêncios
Cercos
Falsos
Caminhos
Um, dois, três goles de chá
Caminha-se:
Viver?
Não precisa
Fazer silêncio algumas vezes é absolutamente necessário.
Dar um passo atrás e observar.
Eu preciso esvaziar-me de meus versos,
Deixar leve a minha mente
E livre o meu coração.

... hoje estou com sede de vida eterna.
De água inesgotável fonte .... que me arremesse a um novo e inusitado horizonte.

Que vontade tão grande de ver o mar.
.... receio de reencontrar a paisagem.

Era preciso tomar uma decisão.
Ainda esperando e precisando que Deus venha.
E me ajude. E se manifeste.

Quem diria esta sou eu !!!!!!!!!

Ainda fico admirada.... quando me vejo mais de perto.
Eu não tinha este rosto abatido.Este olhar.
Quase amassado.

La se foi a beleza.
A beleza que nunca foi muito regular em mim.

Mas neste fim de tarde... na viração do dia..
... um por do sol demorado... o céu de baunilha...

Senti vontade de escrever não o que é sabido e constante...
Não o que me atormenta ou doe....

Mas senti o espírito elevado... vontade de escrever algo bonito...
.... capaz de tocar teu coração.. de te dizer...

Que abençôo ...
... os amigos de longe e de perto...
Em cada pedaço de mim resgatado.. Vivo.
Antes eu esperava estar feliz para distribuir sorrisos.
Mas descobri que , sorrindo, mesmo com uma lágrima pendurada aqui no canto do olho.
Nos sorrisos que recebo de volta,
Encontro Forças

Forças para Enxugar as minhas próprias Lágrimas.

E , no meu quarto vazio, encontro Deus.
No meu próprio vazio, a arte e a poesia...
E vou dançando onde quer que eu vá.

Como pérolas do meu colar...
...são as pessoas que amo.. E são Plenas de amor, como eu.
Alguns sem descendência definida, outros têm brasões....
..... outros são doutores e carregam complicados sobrenomes...

Mas há uma marca em comum:
Todos sabem dar –me Transparente e Sincera Afeição.

Haja o que houver.
Nas noites insones.....ou nos momentos de escuro e vazio...

Eu não temerei.

O tempo infelizmente não volta atrás.
Eu desfaria todas as pegadas do caminho,
Onde meus passos se confundiram com outros.
.... faria cheio de silêncio todos os fados e canções
Que arrancam Lágrimas.

E ouvi de uma amiga esta tarde.
“Espero que não seja tarde!!! “

A verdade se Manifestará. Eu sei.

E espero que não chegue tarde demais.
Que não demore tanto a perceber.
Porque morro aos poucos
Enquanto te espero

E um dia restará mais nada... nada.

Mas Alma querida que aqui chegaste.
Como se nunca tivesse partido.
Soprando sobre minhas preces
Jogando Vida nos meus Desgastes
Alma querida, não te aprisiono
Abençôo teu caminho
Teus caminhos tristes, risonhos... sei que não fostes feito pra ficar.

E se me fora dado um só momento
Para extinguir reservas densas
SERá que eu encontraria nobres Sentimentos... aquele antigo coração...
Ou amargaria tua cruel Indiferença???

SE me fora dado um só momento
Para conhecer face a face, o que virá
Veria terminado o meu sofrimento
Ou saberia que tanto amor é só e em vão ???

Que eu não terei mesmo o final de conto de fadas.

Exalar sempre perfume e dor em cada texto que assino.
Caminhar no fio da navalha
Ser cruelmente retalhado em cada rima escondida.

Ao longo dos meses fui assolada
Por tempestades revoltas
Circunstâncias Adversas

Fui pega de Surpresa
Pelo Vendaval

De toda Imperfeição

E como uma mudinha de planta, que demora a crescer e ganhar altura,
Me rendi com espanto e solidão a noite escura...
De tantas Diferenças
Omissões
Hostilidades confessas ou camufladas.

Sinto tão vazia.

Para onde eu Vou???
De que lado sopra o vento???
O que restou???

O ar é pesado, denso
Como se lhe faltassem forças para Ir ou para Ficar...

Estamos Ambos

Eu e o Vento

enviada por Marília Gabriela



22/10/2008 00:59
ESta música hoje... pra mim , em mim....
Me fez lembrar do livro que amo..
da historia de criança...
......... campo de trigo... girassol..

Tudo bagunçado e revirado aqui dentro de mim.
Lá e de volta outra vez!!!
Que ansia desesperada é esta de amar, de viver...
de ser procurada e encontrada!!

De ser princesa ...
... cada detalhe, cada parte... A Absoluta urgência do Agora.
Então choro.

E brigo todo dia... pra manter no peito aquilo que me faz forte.
.....FE... ESPERANÇA...... AMOR....
E aí amanheço...
E aí é só mais um Dia... só mais um dia.
Nada no meu caminho. MAS
.....FE... ESPERANÇA...... AMOR....

Quem me amaria :???? ??????????

Um Girassol da Cor do Seu Cabelo

Vento solar, estrelas do mar
A terra azul da cor do seu vestido
Vento solar, estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo

Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?

Sol, girassol, vejo o vento solar
Você ainda quer morar comigo
Vento solar estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo

Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que ainda é tarde demais?

Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?
Você vem?
Será que é tarde demais?

"__VAnessa Da Mata"




enviada por Marília Gabriela



18/10/2008 15:19
Neste mesmo instante estou pedindo que Deus me ajude.
Estou precisando.
Precisando mais do que a força humana.
E estou precisando da minha própria força.

Sou forte mas também sou destrutiva.

Autodestrutiva.
E quem é autodestrutivo também destrói os outros.

Estou ferindo muita gente.

E Deus tem que vir a mim, já que eu não tenho ido a Ele.
Venha, Deus, venha.

Mesmo que eu não mereça, venha.
Ou talvez os que menos merecem precisem mais.

Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer: nunca feri de propósito.
E também me dói quando percebo que feri.

Mas tantos defeitos tenho.
Sou quieta, ciumenta, áspera, desesperançosa.
Embora amor dentro de mim eu tenha. Fé.

Só que não sei usar amor:
....às vezes parecem farpas.

Se tanto amor dentro de mim recebi e continuo inquieta e infeliz,
é porque preciso que Deus venha.

Venha antes que seja tarde demais.
Mas, Deus, não ouça minha vã perspectiva
Eu ainda o espero.
E, por favor, traga consigo tudo o que for preciso
Antes que seja tarde demais


Por que , nessa viagem através do que Resiste,
A noite, e ao tempo
em torno das fortalezas Impenetráveis
onde para sempre Resta Adormecida a grande Resposta,
Por que Não se revela o que Apenas Escutamos
Como Suspiro de Vento,
Leve suspiro de quem não resta nada ???

Que imperceptível clamor Rói as muralhas do tempo?

Quem nos impõe essa Expectativa diante do dia que não chega,
Essa efusão diante da Inércia e da Indiferença das coisas,

Essa ternura pelo que não se Confia,
Essa ternura pelo que Nunca será senão um breve relâmpago
No fundo dos olhos acordados ???

A noite repetida tantas vezes,
Muito lúcida e fria... Entre lembranças
Grande choro compulsivo,
Atravessando o corpo ontem, agora...
... um lamento terrível se Levanta como um Vento
De maldição e de intenções Cruéis...
Sofrida

Vi meu corpo perder-se no vazio,
Leve, oscilante ... de madrugada desesperada.

Depois vi a casa, o portão.
Dormi no rio.
Visitei o caminho.
E tive danças... Eu era da cor da Lua

Era uma estrela Talvez.
Nela cansada,
Curvei meu corpo ... dolorido...

E nada vi senão minha cegueira
Meu grito seco aos poucos deformado,
Emudecida

E a face calma, para sempre fria.

É como um grande soluço:
Esta princesa azul....
São velhos sonhos pedindo um pouco de amanhecer.
São velhas casas sonhando...
São velhas casas sonhando....
Parece que vão morrer.

É como um grande soluço;
E ela é da cor da Lua.

Navega por entre Luzes
Que a recordam , na sombra
Dos seus olhos
Um Passado Tão Dolorido
Uma passado que ninguém viu
E que entretanto é todo Dela.
Carrega no coração aflito
Um coração que morreu.

E é como um grande Soluço
De mil Torres
De paisagens Exaustas
Um soluço Sufocado:
Prateada... ela é translúcida.

Tudo a este instante é como um grande grito

Chega de branco ... e branco era sua cor...
Trazendo um Sopro de Terras Santas
De Rosas e Rios
Onda em Claros Arrepios
De verdes Colinas... verdes olhos

De longínquos sonhos e castelos
E tinha toda Pureza Branca

Da risada de menina
Das águas ... dos campos de flores...

De branco.... de branco como o silêncio nela.
Como as núpcias de branco
Como suspiro ... e despedida.

Um céu que ninguém sabe, agora , se é Real
E esta saudade estranha...
De asas que se ocultam...

enviada por Marília Gabriela



16/10/2008 19:55
Estou estilhaçada
Silêncios saem da boca
Mansidão

Estava desenhando palavras

Perdi o jeito de amanhecer...

Sentir a manhã perfumada e ensolarada;
Ir para fora ensolarada de Luz !!!

Tenho tantos pedaços
Que sou Infinita.

E a tristeza de noites insones e tormentosas.
Sentir-se menos só ao caminhar, pela noite enluarada.
Lua cheia, céu pontilhado. Cintilante.
Sentir se menos só ao lado da irmã;
Que a distrai, faz sorrir.
Cansada , tão cansada de tanto chorar.
Vai caminhando pela noite tão triste...
.... como costumava fazer antes; e lembra, que lhe falta algo...

Encontramo-nos e nos desencontramos a cada verso
Que às vezes, obriga meu pensamento a vagar....
... como nesta noite...
Liricamente
Por espaços, até então,
Inexplorados ou repetidos.

Buscar fragmentos de amor e paixão
Que deixei pelo caminho percorrido.

Amigo!! Tem razão!!

É tempo de pedir perdão à VIDA,
Pelas vezes que não soubemos ...compreender as SUAS leis
Exatas e Perfeitas.
.... que não fomos capazes de deixar de magoar SEU coração...
.... a Vida, o Verbo...

De perdoarmos a nós mesmos
Aos que ferimos e aos que nos feriram
Por Ignorância ou pelos ditames do egoísmo e da Imaturidade
Decorrentes da insignificância do que Somos.

É tempo de CRER ainda mais profundamente no AMOR
_ o verdadeiro AMOR_
.... aquele que REDIME, Liberta, que tudo oferece Dadivosamente,
Sem, esperar qualquer benefício ou Imediata Recompensa.

Amar até o fim.
Existe amor maior que este???

Guardo comigo olhar sincero
E, ao deixar-te peregrinar
De certa forma me recomponho
Eu te Liberto
Não te Encarcero.
Desde o início, meu amor só te fez Livre!!!

Deixo que sigas
Para além do mar
Onde repousam todos os nossos sonhos...

É somente por amor e por amar que movemos moinhos.

A poesia dói dentro de mim
Tanto
Como quando vejo aquela árvore sendo podada
Vendo as folhas caírem
... e ninguém mais sabia
Como os ramos derramavam os sons dolorosos...
Parece que em meu princípio está meu fim.
A luz declina.... sobre o campo aberto, abandonando a recôndita vereda.
Cerrada pelos ramos, sombra da tarde...
E a recôndita vereda Insiste.
Tépida neblina de Espera.
Luz abafada...

E as flores do jardim dormem no Silêncio Vazio.

Conviver com esta Sensibilidade Imensurável
Que exalta e Aniquila,
Que desnivela

Que Eleva ao Reino de Deus.

Em meio a Tempestades
..sendo o céu...
.... todo aberto... Imenso ... Vasto...

É Caminhar Sozinha.
**********************************************************
.... ouço a cantiga que me Acalanta....
Que dá Paz ao coração...
Faz Lembrar do meu Jardim

Ouço a música ao longe...
.... me chamando...

E assim, perdida nesta visão
Deste lugar Calmo e Seguro,
Que me Encanta.... que me Conforta...

Me abandono.


Esqueço

Para onde sigo, querendo ou não!!
Não há Poeira
Tampouco Ausência.

Neste lugar santo que me espera.

É ter vencido toda quimera
Dar de cara com a própria Essência

Com marcas Tantas e tão doloridas
Que Nem sei...

Oferecer os braços...
... e deixar me levar...
Por caminhos mais profundos...
....

... só desejar ser levada!!!
Ser levada..
Por braços de amor... para este jardim...
...


enviada por Marília Gabriela



12/10/2008 22:54
... como se a noite descesse...

Como se a noite descesse e eu me sentisse Só;
Só e desesperada Diante dos horizontes que se fechavam.

Gritei alto,bem alto ! como a imensa dor que me consumia.
Mas vi que só as Estrelas, entenderiam.

Não lhe digo grande coisa de minha vida, não há grande coisa a dizer. Estou terrivelmente insatisfeita.
O coração precisa de outros exercícios.

A alma é que está hoje tão Deserta, morre-se de sede.
Esperando ser beijada com ternura.

Era preciso Esperar que o Próprio passado Desaparecesse.

Ou, então voltar àquele instante.
Onde,entretanto, alguém dissesse do coração enfraquecido: “É por Aqui!!”

Onde, entretanto, alguém dissesse
Ao espírito cego:: “ Renasceste !!! Liberte-se !!!”


Se eu estava só, só e desesperada....
.. porque gritar tão alto !?!?!!?
Porque não dizer Baixinho !?!?
Como quem ora.
Se só as estrelas é que me entenderiam !?!?

Entretanto, eu lhe escrevi.
Cartas e cartas ....
Mas estou bem triste com a perda de minhas palavras.

Estive bastante doente, febre muito forte sem razão bem clara,e eu não voltei a me reunir com os meus.

Não me queira mal.
Não me queira mal por um silêncio que não era na verdade silêncio.
Eu lhe escrevia e me oferecia a ti com tanta verdade e sinceridade,
Sentia –me Infeliz por estar doente...

Sentia-me infeliz por temer lhe custar tanto me ver partir.

E depois, se você soubesse como eu o amei ternamente, como eu o trago em meu coração,
E como eu me preocupo por você!!!
É tão triste este longo inverno!!
Já não tenho nenhuma esperança de estar em seus braços, a dizer lhe tudo o que penso,
...discordando o menos possível, ouvi-lo a falar comigo...

Você acha que é por mim que choro??

Cada vez que revejo os olhos que esperam, sinto um sobressalto.
Assalta-me de repente o desejo de levantar-me , de correr, sempre em frente.

Chorei lendo a carta antiga, tão cheia de significados, e agora desmentida.
Estava tomada de cólera contra o seu descaso, contra este Silêncio e desdém.

Mas penso que é terrível deixar para atrás alguém que tem necessidade da gente,
Sentimos a imensa necessidade de Voltar...
.... parar abrigar e proteger....
E arrancamos as unhas contra esta areiam que nos impede de cumprir o Dever,e nos sentimos
Capazes de Remover montanhas.
Atravessamos rios e vales....

Mas não era de mim que tinha necessidade.
Não era eu o que você precisava para se proteger e se abrigar.

De tudo que amei, o que ficou?

Os soluços graves
Dos violinos
Suave
Ferem a minha alma
Ao entoar Jerusalém de Ouro
Num langor de calma
E sono

De abandono.

Sufocada, em Ânsia
Ai!! Quando a distância
As horas
Meu peito magoado
Relembra o passado
E chora....


Daqui, dali, pelo
Vento
Em atropelo seguido
Uma voz ao vento...

Uma voz no vento
Chama azul do dia
Doce perfume, canção
Uma voz no tempo
Resiste na noite
E as lágrimas fogem de ti
Uma voz no vento
Uma voz me chama
Brisa de amor, doce coração
Uma voz no tempo
Carinho na alma
E as lágrimas fogem de ti

Se quem chegou, partiu
Se quem virá, já foi
Só pra quem fica os dias são todos iguais

Mil sonhos pra enterrar

Ventos e vendavais
Corpo e alma afetam

Se os anos pesam demais
no coração

E as lágrimas fogem de ti
E lágrimas fogem de mim
E um rio se forma de nós.


enviada por Marília Gabriela



12/10/2008 00:31
fly away into the night

as vezes eu lembro de como a vida era simples antes...
dos dias em que ia pra escola, pro curso de frances,
me arrependo de ñ ter feito mais coisas que eu realmente gosto ...
e só descobri tanto tempo depois!!
... quando já parece ser avançada a hora....
....

Era tão simples, tão regular e simétrico......
o amor de quinze anos,
a literatura lida e apreciada... os sentimentos descritos!!!!!
Tão densos, tão asfixiantes!!!! Sempre é para sempre.... quando se tem quinze anos.

Hoje é tudo tão sem sentido...... tão vazio!!
tão frio!!!!!

Eu lembro que escrevia....
que só queria a glória de ser livre sob o sol!!!!!

Ainda quero!

Talvez eu tenha morrido realmente no fim disto tudo.
..... e estas coisas não existam mais!!!!!
como no Mundo de SOfia!!!

(( lembra??! – dear Sally!!))


Minha vida sem sentido..... sem mim...
Sem um grande sonho;;;;....ou sonho qualquer....
sem versos ...... sem poesia!!

Que significado em viver a vida assim.......
ou que eu posso esperar ou querer......

vivo num circulo vicioso, perpetuo!!!!
Estou aprisionada nele.........

vão se passando as horas, os dias, os segundos..... e
eu vou envelhecendo aquilo que já esta velho!!!!!!!

Vou secando!!!!!!!!!
Eu estou sofrendo , Amigo!!!!

sinto falta as vezes daquilo que sentia naqueles dias......
do sentimento que mantinha meus sentidos
palpitando...... aquecidos.........

da poesia, do fascínio, da lenda!!!!!!!!!!

quem me dera........ ser isto pra sempre:: brisa leve,
suave, tangida por cabelos soltos.... mãos leves
gestos longos e breves.......
Uma valsa lenta pra sempre!!!!
Eternizada, pintada como um quadro!!!!!!

mesmo que sozinha eu seria feliz!!!!!!!!!


Mas esta É VocÊ !!!!!!
... quem teria imaginado !?!?!!?!?!?!!?!??
Você !!!!!!!!!!!!!

Esta É Você !!!!


.... parada sobre a ponte...

Sonolenta e quase entorpecida.... dolorida.
Doente de novo.... e destemida...
Ninguém sabe... ninguém vê ...
Escondida.

Um grande amigo me disse certa vez, e eu nunca consegui esquecer, Ele me garantiu que minha história não ficaria avessa... meu conto de fada.... teria um final feliz....

Ele mentiu.

Eu tenho tentado...
... fazer o melhor que posso nestes dias...

Exercendo paciência....
Tentando ser mais generosa comigo mesma.
E quem me conhece sabe, isto não é tarefa fácil para mim.

Observo a vida de longe...
..... sem pensar ,ou lamentar a minha própria...

O tempo escorrendo pelos vãos da mão tão pequena.
Saudade imensa...
.... do que nunca tive.
Nunca terei.

Nunca haverá um resgate... ou um amor arrebatador.
Extravagante.
É tarde.

Para qualquer palavra.
Ou reencontro.
Para desculpas... para promessas.
Algumas vezes é cruel a Verdade, .... mas esta sempre foi a escolha do meu romance.
Saber que não existe cura...
... nem milagre....
Que eu não vou acordar e isto não é só um pesadelo.
Estar lutando a tanto tempo....
Estar cansada; ... de lutar.
.... despertar... Não Existe ninguém ao seu Lado.

Não ter escolha.

Ter o direito de sentir se triste.
Revoltada as vezes;
Porque é tão injusto este mundo... e esta vida.
Injusto.

O amor ainda estava lá... e precisou muita coragem.
Foi preciso muita fé.
Para em tempos como este... não ficar paralisada pelo desespero.
E me recompor com a minha fé.
lutar não por rancor
Mas porque Alguém deve se levantar para o que é certo... alguém deve defender
O que é certo
...e a luz é o que a escuridão mais teme!!!

No fim, só a bondade importa
No fim, só a bondade importa

Vou ficar de joelhos, e orar
Vou ficar de joelhos, e orar.

.... ainda que por lábios gaguejantes..

enviada por Marília Gabriela



09/10/2008 22:22
Quando eu partir, não quero que chore
nem fique a pensar: “Ela era assim...”
Mas que sente num banco de jardim,
calmamente comendo chocolates.
REparando o vento.
....

Aceita o que te deixo, o quase nada
destas palavras que te digo aqui:
Foi mais que longa a vida que eu vivi,
para ser em lembranças prolongada.

Porém, se um dia, só, na tarde em queda,
surgir uma lembrança desgarrada,
que nasce e em vôo se arremeda,

deixa-a pousar em teu silêncio, leve
como se apenas fosse imaginada,
como uma luz, mais que distante,
breve.


de muito espanto,
vestindo coisas longínquas
e alguns farrapos de sono,

eu vim para te dizer
que inutilmente contemplo
na planície de teus olhos
só orgulho.Tanto orgulho
e deixo
... muito espanto,

sentada além do crepúsculo
e perfeitamente alheia
a realejos e manhãs.

Eu vim para te mostrar
que se inaugurou um abismo
vertical e indefinido
que vai do meu coração
ao que sonhamos.

....de muito espanto
e alguns farrapos de sono,
onde o céu é coisa gasta
que ao meu gesto se confunde.

Um dia perdi
nas cores do dia todo cinza ....
.... o que mais amei...


Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas,

Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.

enviada por Marília Gabriela






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